BESTAS BANDIDAS

Posted: quinta-feira, 28 de outubro de 2010 by Mau Júnior in Marcadores: , , ,
4




Tudo indicava que seriam dias de confraternização entre amigos (com muita cerveja, merda dita o tempo todo e o cazzo a quatro, é claro), mas há sempre alguma coisa que algum filho da puta faz que irrita profundamente, ao ponto de estragar toda a vibe da ocasião... E não poderia deixar de ser diferente, infelizmente, no evento esportivo da faculdade, que reunia uma porrada de alunos de vários campi.


Pois bem, eu estava, neste dia, com Carlão, Flávio, Eduardo e Takeshi (éramos conhecidos como "fab five" pela gurizada do nosso campus e por algumas gurias que pegávamos, mas isso não vem ao caso), como sempre, com copos de cerveja na mão e falando sobre o cotidiano... Futebol, música, cinema, mulheres (pauta obrigatória, afinal), besteiras aleatórias... Mas, meus caros, vi uma cena que me deixou extremamente emputecido: um bando de retardado de merda estava a laçar as gurias e, como bizarrice pouca é bobagem, ainda estava rolando uma espécie de rodeio com as, digamos, gordinhas.

A minha vontade, naquele momento, era de chegar na voadora em cada um deles (o meu estado etílico me ajudava a tal, diga-se), assim como a de Carlão; no entanto, Flávio, Eduardo e Takeshi, os mais ponderados do bando nos dissuadiram a fazê-lo (o argumento deles três era, de cara, revoltante - diria covarde, até -, mas seria mais civilizado e eficaz do que a violência gratuita: levar o caso à reitoria do campus).

Apesar de ser aceito, não conseguia digerir o fato de ter "ignorar" aquela porra toda. Estava pouco me fodendo se aqueles caras eram filhos de médicos, empresários, políticos, contraventores; tampouco se eles praticavam alguma arte marcial ou MMA (parando para pensar um pouco mais tarde, talvez não ter partido para cima deles tenha sido melhor, realmente; e por conhecimento de causa. Eu já havia sido espancado até perder os sentidos por um bando de playboys há uns dois anos, por defender duas minazinhas que estavam sendo importunadas por eles... Pelo menos, de acordo com o que me disseram depois, elas conseguiram sair correndo; contudo, se eu tivesse "apanhado" um pouco mais, talvez eu não estaria contando essa estória agora).

Eu fiquei muito puto com aquela palhaçada. Não conseguia parar de pensar no semblante de desespero e de vergonha daquelas gurias pegas por aquele bando de primatas... Pior foi pensar que havia feito algo, em caráter análogo, parecido com aquilo. Tudo bem que eu era moleque, mas o ápice da idiotice foi participar de um mega "montinho" (vocês manjam aquela "brincadeira" na qual todos pulam em cima de um pobre coitado? Pois bem, é isso). O coitado que sofreu a "avalanche humana de merda" saiu com um puta corte no supercílio, graças àquela pallhaçada toda... Desde então, confesso que comecei a ponderar um pouco mais sobre o que eu fazia ou falava perante a qualquer outra pessoa.

Aquilo também me fez lembrar do filme "Cama de gato", aquele do qual o Caio Blat participa e que, resumindo a história, um bando de retardado estupra uma guria e, dado o estado de violência e de barbárie daquilo tudo, ela acabou morrendo. Não vi diferença nenhuma naquela porra toda no campus, em comparação com esse filme.

Não sou santo, não tenho pretensão de o ser e espero não ser julgado como tal. Sou daqueles que têm de tomar cuidado para não "pegar pesado" em comentários (sou sarcástico e irônico pra cacete, reconheço); mas humilhar, constranger e ridicularizar qualquer outra pessoa, mesmo que seja um über nerd ou um playboy de merda, não é do meu feitio.

Espero que cada um desses desgraçados seja devidamente responsabilizado pelo o que fizeram, e não importa quem eles sejam ou quem sejam seus parentes. Retratar-se perante a alguém por um erro é, no mínimo, obrigatório; no entanto, há atitudes que não merecem sequer serem desculpadas... E essa foi uma delas.

ZONA DA ELEIÇÃO

Posted: segunda-feira, 4 de outubro de 2010 by Mau Júnior in Marcadores: , ,
0



Não. Apesar de toda a revolta inerente aos últimos desdobramentos de nossa espetacular fauna política, este post não se refere à zona boêmia, ou zona "do bem", na qual a "foda" é agradável (preocupante se for sem preservativos, mas prazerosa). Na verdade, o tema será sobre a putaria (!) que rolou nas zonas... eleitorais, de todo o nosso território nacional. Desde Pelotas até o Acre.

Em primeiro lugar, vamos aos desdobramentos dos dias anteriores à "farra do boi" eleitoral, na qual colaboramos (com todo o nosso know-how em sermos palhaços) e, também, em que não faltaram pão e circo (!). Afinal, o Brasil é uma terra onde "em se plantando, tudo dá"... e onde a roubalheira sempre irá imperar.

Um certo candidato, nos confins do Brasil, proibiu que a comunidade comunicacional daquela "birosca" veiculasse qualquer fato relativo a um processo que tramitava contra ele, por legítima roubalheira descarada (uma mega filha-da-putagem, diga-se). Resultado: em forma de protesto, foi lida uma receita de bolo no espaço destinado àquela notícia. Isso lembra os nada bons e velhos tempos da Ditadura (tanto que revogaram a proibição... o TRE local mandou bem). No entanto, muitas donas-de-casa agradecem até hoje ao apresentador pelo delicioso bolo que ele lhes ensinou. 

Como se fosse a decisão da execução de um elemento, o STF votou um dos assuntos mais importantes ever: a importância suma de levar ou não o título de eleitor (você não leu errado... foi isso mesmo). Pois bem, lenga-lenga vai, caipirinha vem, "cachorrona" desce até o chão... e o documento de todo e qualquer eleitor não iria mudar porra nenhuma aquilo. Para completar, aí vão duas cerejas do bolo: a primeira, se iriam impugnar a campanha do palhaço radicado em "Sum Páulu"; e a segunda, sobre a validade do Ficha Limpa. "ÁGUA" em ambos os casos. Quem sabe a festa de 250 anos do Niemeyer teremos uma decisão. Aliás, quem se deu muito bem foi o velhinho de 102 anos: ele "ligou o botão do foda-se" para toda essa patacoada.

Vamos lá, ao dia do "sufrágio universal", à carater (ou melhor, com uma puta napa de palhaço mesmo). Tapetes de "santinhos" (inconguência incrível: com fotos de "demônios" antropoformizados) forravam as calçadas... e, se algum desgraçado de merda reclamar sobre as enchentes de janeiro, vai ficar com o nariz vermelho (e não me refiro ao nariz de palhaço). Falando no dito-cujo, o "cabra" ganhou mais de 1,3 milhão de votos... e foi o deputado mais votado, e isso aconteceu "nunca antes na História deste país". De carona, representantes do Mensalão e da classe dos gatunos federais vão conseguir uma cadeira e serão sustentados... isso mesmo, por nós.

Para foder a vida ainda mais, a tiazinha "laranja" (e nem é mecânica) foi para o segundo turno nas bandas do Paranoá (deve ter um baita curral eleitoral na Asa Sul de Brasília, só pode). Falando em currais, a "muié" do clã dos Sarney foi reeleita... sem atos secretos, de acordo com a versão oficial (divulgada pelos seus asseclas no Maranhão).

Na "terra dos tucanos", popular São Paulo, deu a triste lógica: tucanadas por mais 4 épocas... e, assim, vamos para 2 décadas de avanços... no preço da passagem, na quantidade de pedágios e de cadeias, nos motins em praça públicas causados pelos gentlement do PCC... chegaremos lá (no fundo do poço, e faremos companhia aos mineiros chilenos).

Enquanto isso, no âmbito nacional, teremos o 2º round entre a filha guerrilheira do líder sindical barbudo e entre o Vampiro do Palácio dos Bandeirantes... e isso dará medo na Regina Duarte (recado à "namoradinha" dos vovôs do Brasil: mais umas 190 milhões de pessoas compartilham seus sentimentos). Marina "Chico Mendes" Silva foi o fiel da balança... alguns tucanos e estrelas foram pintados de verde, e deram novas cores à fauna política nacional. De um lado, falam muito sobre a possibilidade de um regime "autocrático" se Rousseff for eleita, com argumentos muito fortes e pertinentes; no entanto, falaram algo sobre os 20 anos dos tucanos em Sampa? Os ataques de milícias criminosas foram abordados? (NUNCA pergunte isso ao nosso novo ("velho") governador... aquela calma em pessoa pode virar o Hulk). O apoio de Gabeira, o "Antônio Conselheiro" dos guerrilheiros na Ditadura, foi comentado negativamente? No mainstream, não mesmo.

Independentemente da decisão tomar, o faça ponderadamente. Não se baseie na opinião pública (que são os empresários e por banqueiros, que te querem ver bem... endividados, na sarjeta). Não se deixe levar por mentiras deslavadas, dados maquiados e tampouco por "trololós" de quaisquer vertentes ideológicas. Pense, pondere, provoque (se preciso).  Todavia, uma coisa é fato: depois de ontem, PIOR DO QUE ESTAVA FICOU... E MUITO.

VIDA DESAFINADA

Posted: segunda-feira, 27 de setembro de 2010 by Mau Júnior in Marcadores: , ,
0



Ele nunca conseguiu entender por que havia brigas entre integrantes da mesma banda. Afinal, uma banda não é composta por amigos, por caras (e, às vezes por uma mulher, vocal ou baixista) que têm afinidades até quando discordam entre si? Aquilo nunca foi assimilado por ele... Era inconcebível, mesmo.

Uma das coisas que ele mais curtia na vida era tocar com seus amigos, estar ao lado de seus hermanos e tirar um som. A música era sua vida. Além de seu ofício, aquilo era o seu soma. Sem contar que tinham as gurias no backstage (o que era extremamente agradável, diga-se).  Para ele, não tinha nada melhor do que fazer música, tomar umas e rir muito ao lado daqueles que ele havia escolhido como membros de sua família, uma espécie de irmandade (Omni Dominatti Musicae? Poderia ser o nome da banda dele, até).

No entanto, meus caros, aquilo o que ele mais temia aconteceu, bem embaixo de suas narinas entupidas (não por cocaína, pois ele era averso a toda e qualquer droga, até mesmo ao cigarro da Phillip Morris, mas por causa da bendita sinusite que fodia sua respiração desde a primeira infância). Exatamente aquelas brigas entre integrantes de banda, outrora amigos. Vocês manjam a briga de egos entre John e Paul, que resultou no fim do sonho? Ou então as brigas entre Mick e Keith, que quase resultaram no fim do Rolling Stones e da parceria entre os irmãos não-sanguíneos? Pois bem, aquilo aconteceu, bem diante de seus olhos (e de seus óculos de acetato).

Toda banda tem sempre aquele cara que chega atrasado, bêbado, descompromissado aos ensaios... E, coincidentemente ou não, é exatamente o cara mais genial do conjunto. Pois bem, esse cara era o Betão, amigo de infância e irmão que ele escolheu (a única vez em que os dois brigaram foi por causa de uma guria, nos tempos do colegial, ainda... E não era tão gostosa e inteligente assim; coisas de adolescentes). O nosso personagem principal, o guitarrista-base e tecladista em algumas faixas, era o cara “certinho”, às vezes chato de tão ponderado; e Betão era o típico porra-louca, que acordava por madrugadas a fio na zona boêmia envolvido por putas... Ou seja, a música o salvava da autodestruição.

Pois bem, os atrasos de Betão estavam emputecendo demasiadamente os demais integrantes do grupo (Jonas, o vocal; Bernie, o batera, e Lisa, a baixista); no entanto, o nosso amigo sempre “passava um pano” nos atrasos do Betão. As justificativas que Gustavo (esse é o nome do protagonista dessa estória) apresentava para os lapsos de seu brother sempre soavam como “Ele é meio insano, mas é o músico mais genial que conhecemos”... No entanto, os demais membros da banda (e também amigos de  Betão) se cansaram das excentricidades do gênio, e o colocaram no olho da rua, sem choro, nem carpideira, nem nada... Foi à seco (como o próprio Betão disse, “fogo amigo”).

Gustavo foi o único a discordar da saída de seu “irmão” (foi voto vencido, na verdade); e sentiu-se, de certo modo, traído pela família que ele havia escolhido. Ele não tinha mais “tesão” em tocar com aquelas pessoas (até pensou em sair da banda e montar um projeto experimental com Betão, Beth - sua namorada - e com um baterista oriundo de um porão do underground), mas não tinha coragem de sair... Por algum motivo estranho, ainda se sentia “preso” por um cordão invisível a eles.

Ele continuou naquela banda, no final das contas, mas não tinha a mesma química de antes... A música estava começando a virar uma profissão, uma rotina; e ele odiava cair na rotina, fosse ela qual fosse. Seu prazer, além de ficar ao lado de sua namorada, era a produção de curtas metragens, seu emprego regular e que bancava a sua vida de músico, que deixava de ser a sua desintoxicação do mundo, o seu soma.

Aquela “obrigação” o corroía, tal qual ácido sulfúrico sobre qualquer superfície. A vibe no palco não era mais a mesma. Tal qual Betão, Gustavo passou a chegar atrasado aos ensaios (ele passava a entender seu amigo-irmão, sobre o “descaso” com a banda). Aquelas pessoas que antes ele idolatrava estavam se tornando um pé no saco. Não sentia mais tesão em sequer ficar perto delas. Pensou, sinceramente, em sabotar tudo; no entanto, ele não tinha condições (morais) de fazê-lo. Ele foi ficando, simplesmente ficando, mas idealizando como seria se ele saísse da banda.

A própria namorada, que sempre o apoiou em dedicar-se à banda, agora o incentivava a sair, pois sua apatia (até com ela) era notória. A música estava tornando-se um pesadelo. Até mesmo o pôster de John Lennon, seu “mestre”, causava desconforto... Ali, afixado na sua parede, quase dividindo espaço com o do Che Guevara. Algo tinha de ser feito. Ele tinha de acabar com aquele desconforto, antes que aquilo o arruinasse, psicologicamente falando.

Um dia - mais uma dessas coincidências que a vida tanto gosta -, para ser mais exato, num 10 de abril (mesmo dia em que os Beatles chegaram ao fim), ele sentenciou a sua saída daquele grupo (que, há até poucos meses, havia se transformado numa prisão), tal qual John Lennon, com a frase “O sonho acabou”. Ninguém entendeu o porquê de sua saída (talvez porque ele sempre guardou tudo para si, e só revelava para sua namorada e para seu irmão de consideração, Betão)... Talvez por isso, os demais integrantes sempre o consideraram enigmático. 

Falando em Betão, ele, ao contrário do que Gustavo imaginava, não se afundou no álcool e nas drogas. Estava cursando Sociologia numa universidade pública, abriu um desses estúdios para bandas independentes e, de quebra, seria pai (graças a uma dessas bebedeiras das quais ninguém conseguia se lembrar do que havia acontecido na noite anterior) e iria se casar com a mãe de seu “pequerrucho”.

Para Gustavo, o sonho realmente havia acabado; todavia, era hora de acordar para a vida, que estava começando. Mesmo fora daquela banda (um alívio, afinal), ele se sentia em paz... com sua namorada e com sua guitarra ao seu lado. Quanto à música, ela sempre estará presente... Seja como trilha sonora de sua trajetória, com outro grupo, whatever.

PROPAGANDA (ELEITORAL) ENGANOSA

Posted: segunda-feira, 6 de setembro de 2010 by Mau Júnior in Marcadores: , ,
1



Imaginem uma criança numa loja de brinquedos, na qual ela poderá pegar o que quiser, sem ter de preocupar-se com preço, nem nada.Também tentem imaginar um notório glutão num restaurante self service, após ter ganho promoção na qual ele poderá comer o que quiser. Não deu? Agora pensem em um cachaceiro enólogo numa adega, na qual ele poderá degustar todos os vinhos (até aquele Merleau-Ponty da safra de 1985). O que acharam?

Pois bem, caros, agora tentem imaginar isso tudo, só que com produtos danificados e/ou deteriorados. Chegamos à propaganda eleitoral gratuita, ou o "grande circo de horrores" mesmo. E o pior de tudo é que, apesar de ser "gratuita", pagamos por essa palhaçada demonstração de mediocridade dos nossos políticos por quatro anos. Muita opção, é verdade, mas nenhuma (ou quase nada) de qualidade respeitável.

Eis o motivo pelo qual ela não é gratuita, crianças: pagamos por todas as promessas falsamente feitas e, de quebra, algumas campanhas são feitas com verba pública (!!!) em alguns casos... "Gratuita", só se for, para as emissoras (que não recebem nada, pelo fato de o conteúdo divulgado não ser de caráter publicitário). Ou seja, pagamos para ver a um show de stand-up comedy inconveniente e, pior, mais sem graça do que os convencionais.

Mais algumas situações clássicas: as ruas parecem palcos de disputas épicas entre cabos eleitorais de candidatos mas, ao invés de sangue a jorrar incessantemente, o que se vê é o derramamento desmedido de papel no chão... e daí para a poluição local, um pulo (de pulga) basta. E não são só as modalidades física e visual que causam engulhos: a poluição sonora também incomoda muito. Respondam sinceramente: o que é pior? Ouvir a namorada / esposa / fuck friend gritar histericamente ou ouvir um estarrecedor "Vote certo no Alan Neto..."? Difícil, não? Agora, imagine ouvir isso de madrugada ao meio-dia, após uma mega ressaca; e aquela música irritante acaba com mais uma noite de sono... e isso aconteceu comigo hoje.

Ainda sobre os cabos eleitorais: vocês já ouviram aquela clássica expressão "Eles não sabem o que fazem"? Pois bem, nada mais apropriado para eles do que ela. A guria que distribui "santinhos" (de demônios antropoformizados), o garotinho que faz boca-de-urna (não é o que vocês estão pensando, para princípio de conversa) e, até mesmo, o motorista do carro da chacina carro de som do candidato X não têm ciência do mal que estão fazendo e de que, até mesmo, são vítimas de um sistema do qual, inconscientemente, eles estão integrando. O maior culpado é aquele filho da puta candidato sorridente, que mostra extremamente solícito e simpático (até beija testa de criança... deixe-o ser eleito e conheça sua verdadeira personalidade).


Enfim, antes de tomarem qualquer decisão, ponderem muito, analisem o histórico de seu candidato antes de tomarem atitudes precipitadas, não deixem-se serem capitaneados pelo o que a opinião pública (que não é a "voz" da sociedade) divulga a esmo... Exerçam o senso crítico e não deixe-se ser guiado pelo senso comum. Qualquer decisão mal analisada pode resultar em quatro (!) anos. Ah!, o mais importante: não se deixem levar por propagandas enganosas (nem sempre uma boa embalagem guarda um produto de qualidade).

JORNAL PARADOXO

Posted: domingo, 29 de agosto de 2010 by Mau Júnior in Marcadores: , ,
0


Todos sabem que jornais digitais são fontes de erros e de notícias insólitas em abundância, especialmente para caçadores ávidos por encontrarem deslizes (sejam eles ortográficos, sintáticos, simples "barrigas", whatever). Nesta semana, por acaso, encontrei um desses dados insólitos em um jornal eletrônico de grande porte (o chamemos pelo nome fictício de Folha de S.Paulo). A notícia? Uma possível suspensão a ser aplicada sobre Luís Felipe Scolari, técnico do Palmeiras, referente a uma discussão com um árbitro. O fato grotesco? A inserção de o termo "porra" no texto, após reprodução na íntegra de uma frase dita pelo treinador (vocês não leram nada errado: havia uma "porra" no caralho do texto).

Pois bem, ver um termo "chulo" num texto não é algo muito aconselhável e comum; no entanto, há fatos muito mais delicados e questionáveis que passam desapercebidos pelos focinhos dos farejadores de erros e pelos falsos moralistas de plantão. De acordo com o nosso amigável e querido (?) Senso Comum, praticamente uma entidade onipresente, proferir um "palavrão" é um crime passível de um tapa na boca (como me dei mal por isso na infância) ou, até mesmo, de envio para trabalhos forçados na Sibéria ou de "trabalho voluntário" nas eleições. Todavia, galera, há "coisinhas" muito piores e que são ignoradas despudoradamente pelos arautos da moral e dos bons costumes... Uma criança fazendo malabares no semáforo, por exemplo.

Querem exemplos? Eles não faltam. Vamos lá, então. Remontemos aos tempos da ditadura (isso mesmo, o regime militar que fodeu prejudicou enormemente o bom senso e a inteligência de uma nação). Dizer que o povo queria ter a chance de escolher quem seria o governante ou, ao menos, ter voz ativa era motivo para porradas, cacetadas, retiradas de unhas com pés-de-cabra ou, até mesmo, de paredón, compañeros; todavia, estimular a percepção de a realidade distorcida era passível de homenagem de honra ao mérito no Congresso (o fato de um certo general dizer que assistir o noticiário na emissora-mãe à noite era reconfortante explica alguma coisa?).

Não está contente? Voltemos aos dias atuais. Reza a lenda que ouvir músicas ou assistir a programas, filmes, o cazzo, que abordem e/ou critiquem temas violentos podem formar pessoas violentas ou, até mesmo, potenciais delinquentes (uma coisa é criticar; fazer apologia ao crime é outra história... E já posso ver mães desesperadas, a imaginarem que seus queridos e "ingênuos" filhinhos - e filhinhas - sejam marginais); buuut, assistir a cenas calientes na novela das 8 (que começa sempre às 21h), com conteúdo inapropriado para crianças e para pré-adolescentes (as crianças metidas a adolescentes) não implica em problema algum, e tem até a bênçao das mesmas mães que têm espasmos ao pensar que seus filhinhos ouvem a músicas de protesto, compostas por supostos delinquentes e subversivos (um recado a essas mães: não se espantem se seus "pequerruchos" cometam burradas homéricas, após absorção subcutânea de conteúdos não recomendados para eles, seja por meio de novelas ou de "noticiários" embebidos por muito sangue).

Não obstante, as mesmas pessoas que falam pelos cotovelos que a Ditadura não passou de uma "ditabranda"  e que apavoram ao ouvir um palavrão maroto são as mesmas que fecham os olhos para o garotinho malabarista no semáforo e para os escândalos na Câmara dos Deturpad... digo, dos Deputados (aliás, o horário político transformou-se em um grande circo dos horrores; e muito disso se deve a anos de lobotomia coletiva promovida pelo regime militar). No livro clássico "1984", de George Orwell, questionar era algo impensável e crime inafiançável, ao mesmo tempo que dissimular a realidade na "caruda" era regra.

Faço uma proposta indecente a vocês: pensem sobre o que é mais condenável. Um palavrão é mais grave do que várias pessoas serem submetidas à insegura alimentar grave (vulga fome)? Ouvir músicas de protesto e de contestação são mais condenáveis do que uma cena tórrida no horário nobre? Questionar as mazelas sociais ao seu redor é tão estarrecedor quanto assistir passivamente aos mandos e desmandos de mandatários e de candidatos a governantes? Ver "presuntos" nas ruas e submeter-se ao sensacionalismo barato é normal? Pensem nisso, chicos y chicas.

COVERS (NEM SEMPRE) NOTÁVEIS (3)

Posted: segunda-feira, 23 de agosto de 2010 by Mau Júnior in Marcadores: , , , , ,
0



Você já ouviu falar em James Newell Osterberg? Não mesmo? E se lhe disserem que ele foi vocalista de uma das bandas mais influentes dos anos 60, o The Stooges? Nem se lhe disserem que ele é dono de sólida carreira solo? Essa dica será definitiva: vocês conhecem Iggy Pop?

Pois bem, todo mundo ouviu falar sobre Iggy Pop ao menos uma vez na vida. Ele, em âmbito mainstream, é conhecido por ter comido feito parcerias musicais com David Bowie e com Katie Pierson, do B-52's; e, como se não bastasse, ele também é do grupo dos maracujás de gaveta conhecido por ser adepto da teoria de Keith Richards e por ter estilo de vida extremamente regrado.

No entanto, hermanos(as), o motivo deste post é o seguinte: há pouco mais de um ano, o dito-cujo lançou o álbum "Preliminaires", no qual há flerte intenso com o Jazz (você consegue imaginar um punk interpretando canções do ritmo de Nova Orleans? Eu também não conseguia; no entanto, vale a pena ouvir o álbum com atenção). A "cereja do bolo" deste trampo de James Osterberg (ou Iggy Pop, Bowie, whatever) é a cover de "Insensatez" ("How insensitive", na gringa), música eternizada pelos eternos Tom Jobim e Vinícius de Moraes, o embaixador póstumo. Se vocês quiserem conferir o resultado da cover, eis o produto final.





Para quem quiser enriquecer os horizontes musicais e dar uma checada na versão eternizada pela dupla Tom e Vinícius, a obra-prima está aqui.

Hasta la vista, chicos y chicas.

SÓ LIGARAM PORQUE...

Posted: terça-feira, 17 de agosto de 2010 by Mau Júnior in Marcadores: , ,
1



Uma ligação. Uma simples ligação, de uma amiga, num momento inesperado. Ele jamais esperava que aquilo pudesse ser, ao menos, um sopro de perspectiva de mudança em sua vida, até então previsível e enfadonha. A vida de contador não lhe agradava mais; logo, não é preciso ser Steve Jobs para supor que tudo o que ele queria era mudar de ares, dar um pouco de emoção à sua vida; quiçá, passar sua vida a escrever e a fotografar. Sorrir? Essa palavra estava quase esquecida em seu vocabulário...

O estúdio de Fotografia ao qual ele foi era bem pequeno, quase familiar; no entanto, aquilo era quase o Olimpo... pero, suas expectativas eram pequenas, direcionadas a longo prazo (um defeito do cara sobre o qual estou falando: ao mesmo tempo em que ele não desistia de seu sonho e lutava ferrenhamente por ele, sua falta de auto-confiança o fazia sentir engulhos ao se olhar no espelho).

Enfim, a vida seguia, e da mesma maneira de antes... O dilema entre realização profissional e senso de sobrevivência lhe tirava a paz de espírito e, de quebra, sua úlcera crescia um pouco a cada dia. Se uma música o definisse, essa seria “Creep”, do Radiohead (tal qual Thom Yorke, ele se sentia um “mané”)... ou seria “Loser”, do Beck?

Muy bueno, outra ligação surgiu em seu celular. Seria aquilo o que ele esperava? Uma resposta negativa? (Outro aspecto, digamos, questionável do personagem: ele sempre esperava o pior em tudo... nem precisa dizer o quão ansioso e receoso ele é). O tempo parecia ter parado, assim como sua respiração. Sua voz saía com dificuldade ímpar, igual a um noivo no momento de dizer “Sim”. Seus ouvidos, assim como o seu pensamento e suas pernas, não o obedeciam. No entanto, igual a um piloto que ouve da equipe pelo rádio que tornou-se campeão mundial, foi possível decodificar a seguinte frase: “Você pode pedir desligamento da sua empresa... Iremos contratá-lo”.

Lágrimas tinham de ser contidas; assim como a voz estava embargada. Engraçado: como aquilo o que ele sempre sonhou pôde ter se tornado motivo de choro e de dúvidas? Na verdade, a separação de seus amigos de anos a fio o assustava. O “novo” o entusiasmava - ele era adepto a teoria de David Bowie, na qual é preciso encarar o estranho -, mas a redução do contato com aquelas pessoas com quem ele convivia até então mais do que com sua própria família tornou-se penoso.

Como já disse Newton certa vez, “uma ação resulta em uma reação de mesma intensidade e força” - seus conhecimentos em Física se resumiam a esse conceito -. Tudo tinha um preço, ele já sabia, mas era algo um pouco mais caro do que ele gostaria.

Resumo da ópera: sua vida mudaria, e era exatamente o que ele queria; no entanto, ele continuaria o mesmo cara easy going, como ele sempre fora; e, por mais que ele aprendesse uma porrada de novas informações, até mesmo a falar húngaro (como disse Chico Buarque, o único idioma que o Diabo respeita), ele não iria mudar de amigos; tampouco de suas origens.